Luta de Arlete Caramês garantiu buscas imediatas por crianças desaparecidas, sem ter que aguardar 24 horas
25/03/2026
(Foto: Reprodução) Morre Arlete Caramês, símbolo da busca por crianças desaparecidas
A dedicação de Arlete Caramês na luta por crianças e adolescentes desaparecidos garantiu uma lei de 2005 que alterou a redação do Estatuto da Criança e Adolescente para garantir que buscas imediatas ocorram logo depois que desaparecimentos de crianças sejam informados para as autoridades competentes, sem a necessidade de se aguardar 24 horas para que comecem.
A lei também define que os órgãos competentes devem comunicar o fato aos portos, aeroportos, Polícia Rodoviária e companhias de transporte interestaduais e internacionais, fornecendo-lhes todos os dados necessários à identificação do desaparecido.
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Arlete morreu, aos 82 anos, na terça-feira (24), em Curitiba. Ela é mãe de Guilherme Caramês Tiburtius, que desapareceu em julho de 1991, aos 8 anos de idade, enquanto brincava de bicicleta no bairro Jardim Social, em Curitiba. O caso nunca foi solucionado.
Depois do sumiço do filho, Arlete incansavelmente dedicou a vida para reencontrá-lo. Durante a jornada, ajudou outras famílias a encontrarem as próprias crianças perdidas e transformou a dor em causa.
Em 1992, Arlete fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar), uma ONG voltada à prevenção e à localização de crianças desaparecidas que a tornou reconhecida nacionalmente.
O ativismo contribuiu para a criação, em 1995, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride), que permanece em atividade até os dias de hoje. Segundo a Polícia Civil do Paraná, o Sicride é a primeira e única estrutura do Brasil dedicada exclusivamente a casos de desaparecimento de crianças e adolescentes.
Arlete era ativista pela causa das crianças e adolescentes desaparecidos
RPC
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Trajetória política
Arlete Caramês foi vereadora e deputada estadual do Paraná
Alep
Nos anos 2000, foi eleita como vereadora de Curitiba com 14.160 votos, a segunda maior votação daquele pleito. Durante o mandato na Câmara Municipal, apresentou diversas propostas de lei voltadas à infância e à proteção das crianças.
Entre elas, algumas que não foram aprovadas, mas que refletem o compromisso dela com a causa, como sugestão de divulgação de pessoas desaparecidas no site da Prefeitura de Curitiba, ficha para identificação de crianças em hotéis e a exigência de carteira de identidade na matrícula escolar.
Em 2002, Arlete foi eleita deputada estadual, com 22.736 votos, e assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná. Lá, manteve como prioridade a defesa das crianças e o apoio às famílias atingidas por desaparecimentos, transformando a dor pessoal em ação pública permanente.
O desaparecimento de Guilherme Caramês Tiburtius
Guilherme Caramês Tiburtius desapareceu em uma época em que o Paraná lidava com uma onda de desaparecimentos de crianças
Reprodução
Guilherme Caramês Tiburtius desapareceu em uma época em que o Paraná lidava com uma onda de desaparecimentos de crianças. No dia em que foi visto pela última vez, Arlete se despediu do filho pela manhã, enquanto ele ainda dormia, e foi trabalhar.
Durante a manhã, o menino ficou assistido pela avó e andou de bicicleta pela rua, algo comum na rotina. Ele ligou para a mãe pedindo para usar um dinheiro, que estava guardado, para comprar um coelho, o que foi autorizado por ela.
Por volta das 12h, a avó chamou Guilherme para almoçar e se preparar para ir para a escola. O menino pediu para dar uma última volta de bicicleta, o que foi autorizado pela avó. Cerca de meia hora depois, os familiares notaram o sumiço da criança e imediatamente acionaram a Polícia Militar.
A corporação procurou nos arredores e vasculhou, inclusive, um rio perto da residência. No entanto, nenhuma pista foi encontrada. Guilherme, nem a bicicleta com a qual ele brincava, nunca foram encontrados.
Guilherme Caramês Tiburtius desapareceu em julho de 1991, aos 8 anos de idade
RPC
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